Carta Aberta e Confissão



Há exatos trinta e sete anos, em 1989, eu iniciava o segundo semestre do curso de teologia no Seminário Bíblico. Eu era um recém-convertido à época, com apenas três anos de caminhada com Cristo. Em um feriado de quinta-feira, decidi visitar um casal de alunos, colegas de turma, por volta das 19h. Naquela época não havia telefonia celular, de modo que não era possível verificar antecipadamente se estariam em casa. Residíamos a cerca de 800 metros de distância um do outro. O Evento Quando cheguei, fui atendido na porta por uma moça que cuidava do filho do casal, uma criança de aproximadamente um ano e meio que chorava pedindo colo. Ela pegou a criança nos braços e me convidou a entrar. Ao perguntar pelo casal, ela entrou com o bebê em um dos cômodos e retornou dois ou três minutos depois, dizendo que eles haviam saído. Trocamos algumas palavras. Ela sorriu e se aproximou. Uma coisa levou à outra e, por cerca de cinco minutos, nos acariciamos. Estávamos abraçados quando percebi que houve um intercurso. Nesse exato instante, fui atingido por um raio de lucidez. Segurei-a firme pelos ombros e disse: “Desculpa, não posso fazer isso.” Assustado com a situação, corri de volta para o meu chalé. Faço questão de ressaltar que tudo o que ocorreu naquele momento de intimidade foi consensual — tenho o Senhor como minha testemunha. O Desfecho e os Anos Seguintes Passei a noite orando em angústia. Na manhã seguinte, resolvi procurar a moça para me desculpar pela forma brusca com que saí. Encontrei-a na rua, agindo de forma amistosa, embora com o semblante triste. Ela me disse que estava voltando para sua cidade de origem. Pedi desculpas, desejei-lhe boa viagem e nunca mais a vi ou soube seu nome, embora me lembre dela em minhas orações. Após o ocorrido, orava para que aquilo ficasse apenas entre mim, a moça e Deus. Concluí o bacharelado em 1993, mas, ao deixar a escola, comecei a notar um afastamento das pessoas e muitos rumores. O maior problema não era o que fiz de fato, mas o que os comentários diziam que eu havia feito. Hoje, quase quatro décadas depois, decidi trazer a verdade à luz. Sinto-me mais leve, graças a Deus. Confissão e Pedido de Perdão Quero aqui confessar abertamente que pequei e cometi um erro gravíssimo, que trouxe terríveis consequências para muitos, inclusive para mim mesmo. Com esse ato, pequei contra Deus e contra meus irmãos em Cristo — especialmente o casal de alunos e a moça que me recepcionou. Quebrei as regras da instituição de ensino e traí a confiança dos diretores, dos professores e de muitas pessoas, indiretamente. Assumo total responsabilidade pelo que fiz e lamento profundamente toda a dor e o sofrimento causados. Peço perdão a todos os que ofendi. Peço também suas orações, para que eu continue crescendo em santidade e na graça de Nosso Senhor. João Crisóstemo 23/07/2026



Há exatos trinta e sete anos, em 1989, eu iniciava o segundo semestre do curso de teologia no Seminário Bíblico. Eu era um recém-convertido à época, com apenas três anos de caminhada com Cristo. Em um feriado de quinta-feira, decidi visitar um casal de alunos, colegas de turma, por volta das 19h. Naquela época não havia telefonia celular, de modo que não era possível verificar antecipadamente se estariam em casa. Residíamos a cerca de 800 metros de distância um do outro. O Evento Quando cheguei, fui atendido na porta por uma moça que cuidava do filho do casal, uma criança de aproximadamente um ano e meio que chorava pedindo colo. Ela pegou a criança nos braços e me convidou a entrar. Ao perguntar pelo casal, ela entrou com o bebê em um dos cômodos e retornou dois ou três minutos depois, dizendo que eles haviam saído. Trocamos algumas palavras. Ela sorriu e se aproximou. Uma coisa levou à outra e, por cerca de cinco minutos, nos acariciamos. Estávamos abraçados quando percebi que houve um intercurso. Nesse exato instante, fui atingido por um raio de lucidez. Segurei-a firme pelos ombros e disse: “Desculpa, não posso fazer isso.” Assustado com a situação, corri de volta para o meu chalé. Faço questão de ressaltar que tudo o que ocorreu naquele momento de intimidade foi consensual — tenho o Senhor como minha testemunha. O Desfecho e os Anos Seguintes Passei a noite orando em angústia. Na manhã seguinte, resolvi procurar a moça para me desculpar pela forma brusca com que saí. Encontrei-a na rua, agindo de forma amistosa, embora com o semblante triste. Ela me disse que estava voltando para sua cidade de origem. Pedi desculpas, desejei-lhe boa viagem e nunca mais a vi ou soube seu nome, embora me lembre dela em minhas orações. Após o ocorrido, orava para que aquilo ficasse apenas entre mim, a moça e Deus. Concluí o bacharelado em 1993, mas, ao deixar a escola, comecei a notar um afastamento das pessoas e muitos rumores. O maior problema não era o que fiz de fato, mas o que os comentários diziam que eu havia feito. Hoje, quase quatro décadas depois, decidi trazer a verdade à luz. Sinto-me mais leve, graças a Deus. Confissão e Pedido de Perdão Quero aqui confessar abertamente que pequei e cometi um erro gravíssimo, que trouxe terríveis consequências para muitos, inclusive para mim mesmo. Com esse ato, pequei contra Deus e contra meus irmãos em Cristo — especialmente o casal de alunos e a moça que me recepcionou. Quebrei as regras da instituição de ensino e traí a confiança dos diretores, dos professores e de muitas pessoas, indiretamente. Assumo total responsabilidade pelo que fiz e lamento profundamente toda a dor e o sofrimento causados. Peço perdão a todos os que ofendi. Peço também suas orações, para que eu continue crescendo em santidade e na graça de Nosso Senhor. João Crisóstemo 23/07/2026